Sunday, February 27, 2005

" Momento"



Uma espécie de céu, um pedaço de mar,
Uma mão que doeu, um dia devagar.
Um Domingo perfeito, uma toalha no chão,
Um caminho cansado, um traço de avião.
Uma sombra sozinha, uma luz inquieta,
Um desvio na rua, uma voz de poeta.
Uma garrafa vazia, um cinzeiro apagado,
Um hotel numa esquina, um sono acordado.
Um secreto adeus, um café a fechar,
Um aviso na porta,um bilhete no ar.
Uma praça aberta, uma rua perdida,
Uma noite encantada, para o resto da vida.


Pedes-me o momento, agarras as palavras,
Escondes-te no tempo, porque o tempo tem asas.
Levas a cidade solta no cabelo,
Perdes-te comigo, porque o mundo é um momento.

Uma estrada infinita, um anúncio discreto,
Uma curva fechada, um poema deserto.
Uma cidade distante, um vestido molhado,
Uma chuva divina, um desejo apertado.
Uma noite esquecida, uma praia qualquer,
Um suspiro escondido, numa pele de mulher.
Um encontro em segredo, uma duna ancorada,
Dois corpos despidos, abraçados no nada.
Uma estrela cadente, um olhar que se afasta,
Um choro escondido, quando um beijo não basta.
Um semáforo aberto, um adeus para sempre,
Uma ferida que dói, não por fora, por dentro.
( Letra: Pedro Abrunhosa)

Tuesday, February 22, 2005

Hino -Vozes do Atlântico




Abre pontes em espuma
Nesse mar em vida contido
e traz às ilhas de bruma
Os sons de um búzio escondido!

Vem abrir marés de paz
Vencendo a barca da ilusão
Festival em que a noite se faz
No compasso de uma canção!

Vozes do Atlântico
Ergue a tua voz em estandarte
Vozes do Atlântico
Vozes do Atlântico
Faz da música uma bandeira
A voz do Atlântico altaneira
Vibra no Faial, ilha da Madeira
Um palco de união e arte.

Não limites o sonho à cor
Nem a palavra a um só som
São sete as notas... e o amor
Só procura o mesmo tom! António C. ( XXIIIº Festival Internacional do Faial)

Cantar é vencer distâncias...

Enquanto o teu véu mostrar o batôn das palavras que não dizes, nunca perderemos o verniz do amor porque, sem ele, as palavras apagam-se e a ternura torna-se anémica.E nós queremos ter sempre um véu em comum...

C' é sempre un' uccello
Há sempre uma ave
Che vive qui dentro
que vive cá dentro
qui dentro
cá dentro
Dentro L'anima che vola
Ao fundo da alma que voa
E' volare é l' esistenza!
e voar é existir! António C.